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Alguém!

(Paródia de Manuel Carneiro: Balada das três mulheres de Axará) Esse Alguém me chamava, me falava [deveras me implorava Oh esse alguém quando a noite caía Meus sonhos com esse Alguém Que outros, não ele, encontrem a morte Que loucamente eles o adorem Oh palidez azeda Olhos azuis, saem como prata Esse alguém por aí a paisana Eu vivo para para que me note Talvez vire sua amante Alguém é amigo, irmão.Alguém... Vagabundo, sem rumo, louco talvez? Esse é o Alguém? Meu Deus, esse é o Alguém? O lado sincero é nu O segundo ninguém sabe, oculto da vida Niguém desvendara Mas o terceiro...Oh, não há nada que me encante mais! Quantos lados para se descobrir! Se me perguntassem: Quer ser estrela? Quer outro alguém? Quem sabe uma casa na praia? Um lugar no mundo? Eu responderia: Não quero nada disso camarada! Eu só quero esse Alguém! Meu mundo por esse Alguém!

Caí

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Hoje caí na rua E você me deixou ali Rindo por fora Chorando por dentro Disse, então, por fim Que estava apaixonado por ti Caí na tua E você me deixou ali Rindo por fora Chorando por dentro Percebo agora, O quanto ando resbalando....
Vou cantando belas palavras por aí Às vezes resbalo Às vezes caio Mas meu amor! Continuo a cantar! Porque se o coração doer A garganta apertar Logo, logo hei dos males afastar!

Eu português

Faço a elipse do que sinto Pleonasmo do que imagino E o eufemismo? É tudo o que vivo Deixei os adjetivos para depois E desloquei as conjunções Botei vírgulas e exagerei nas exclamações Nossa! Quantas interrogações! Inclui tantas aspas Que esqueci das outras pontuações Botei tanto ponto Que perdi as orações Consequências, eloquências Ainda assim Eu continuo sendo uma eterna reticências.

Somos números

Nós somos números, nada mais do que números RG, CPF, carteira de motorista, carteira de trabalho, certidões... Somos números, nada mais que números Matrículas, inscrições, registros, cartões... Somos números, nada mais que números Celular, telefone, usuário, senhas Somos números, nada mais que números 7 bilhões, 500 mil, população, sociedade, grupo, membros... Somos números, nada mais que números Uma ordem, chamada, primeiro isso, amigo tal, fila, candidato... Somos números, nada mais que números Dados numéricos, manipulados Somos números, nada mais que números Somos números cadastrados Mas então que não sejamos adestrados...
Uma história que se narre em poucos versos Não é narrativa É um conto aos avessos E se virado está Deixa assim Talvez esse seja o lado certo Talvez o início seja o seu fim

180 de Inverno

Eu podia ouvir o desespero na sua voz Enquanto entrava num mundo só seu A angústia da sua luta E a mágoa da minha As horas passam e nada Os remédios apenas lhe põe num sono profundo Você parece tão calma É apenas plano de fundo Entre nossos beijos você se perdeu E procurou na morte o consolo Não fuja de mim Eu te quero mesmo assim Eu te quero mesmo assim Você se fecha em sua Alice Não importando o quanto eu grite Você não me ouve O amor é uma doença Como se você quisesse que ela continuasse Lutamos contra a calamidade A frieza que assola sua alma Reflete-se no seu corpo fraco Durma meu amor Ao dormir os pesadelos acabam Entre abraços e insistências Depois de tanta clemência O desespero se afoga no clamor Vem de volta meu amor Depois de tudo que eu passei Eu mereço no mínimo você Eu te quero mesmo assim E do jeito que viemos, vamos embora Juntos, a morte nos consola