O vazio é significante. Aquele buraco, aquele ponto que não era nada, agora é. Aquele inútil buraco que achei que tinha tapado. Ele cresceu, se aproveitou da minha falta de atenção, e tomou espaço. Ele não carrega mais tristeza, e diga-se de passagem nem raiva, ele não carrega nada. O vazio é mais assustador do que a conturbação que havia antes: a indiferença assusta mais do que a dor. Sinto esse vazio tomando conta, expandindo-se dentro de mim como se a qualquer momento fosse me consumir até não restar nada de mim. Esvaindo-se pelas brechas do meu corpo tornando-o gélido. Tomando o controle até eu não saber mais quem sou. Não há forças que me ajudem a lutar contra ele, não há motivos. Meu corpo está fraco, mas não mais que minha mente que não tem mais os pensamentos no lugar. Minhas mãos doem de se agarrarem inutilmente no quer que seja, e meus pés estão doloridos do chão árido. Estou em pólvora, uma faísca e tudo vai aos ares. Seria tão fácil apenas esperar findar. O fim já não pare...